sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Desvendar-te

Nunca acreditei muito que existia alguém perdido no mundo que me completaria. Mas meu coração continua batendo freneticamente quando teus olhos encontram os meus, tão sedentos para te observar, te entender. A certeza de que pessoas parecidas demais tendem a se afastar se concretiza a cada encontro. Por que ainda assim, anseio te ver? Tenho decorado cada movimento seu, cada palavra, seu cheiro...
Há sempre algo escondido na tua alma que me impressiona, que me faz correr ao teu encontro, sabendo que ali mesmo me auto-destruo.
Existe tempo pra se apaixonar? Certamente não. As horas não contei, mas foram eternas e suficientes para que te tornasses o exclusivo para a minha felicidade. Me envolves, com esse teu jogo poético de palavras, me acalentas com o que eu julgo serem frases de reciprocidade. Porém, não são. Nunca, talvez, serão.
Se vens, chegas, adentras, não consigo fazer-te parar. Estarei aqui sempre a tua espera. Contando cada minuto para que deixes eu te amar. Não importando o futuro, apenas teus olhos profundos, tua boca, teus versos...

'Y no me importa contarte que ya perdí la mesura, que ya colgué mi armadura en tu portal...
 Donde termina tu cuerpo y empieza el cielo (...)
¿Que fue que nos unió en un mismo vuelo?
¿Los mismos anhelos?
¿Tal vez la misma cruz?'

Catarina Bezerra

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Feitos um pro outro

Uma xícara de café do lado, a tela do computador na frente, música de Engenheiros ao fundo. Tudo isso pra te esperar. Por que toda essa ansiedade de minha parte? Ouvir um 'oi' não deve parecer muita coisa pra ninguém, nem mesmo pra mim, porque sei que um simples cumprimento pode não ser absolutamente nada. Não é.

"Diga a verdade
Ao menos uma vez na vida
Você se apaixonou
Pelos meus erros"

Insisto em apertar o botão do lado direito do celular, nada. Nenhuma chamada sua. A sensação de ser a última pessoa de quem você se lembra arrebata meu coração e quase esmaga minhas esperanças. Esmagada. É melhor fechar os olhos.

Onde ficou perdido o teu sorriso? Preciso parar de te buscar em todos os rostos que vejo. É como se eu procurasse um pedaço teu em cada ângulo dos cômodos por onde passo. Espera, é você: chegaste.

Começas a falar e minha mente como sempre usa o poder que mais me faz mal, o de distorcer a meu favor, tuas palavras. Consigo quase acreditar que entre nós há reciprocidade. 

"Feitos um pro outro
Feitos pra durar
Uma luz que não produz
Sombra"

Acho que eu gosto disso, desse drama constante, dessa incerteza. Fico melhor ao lado da melancolia, fomos feitos um pro outro.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Longe deles nada existe

Assim como se sente um déjà vu, sinto agora uma cachoeira de intervenções e pensamentos derramando na minha consciência. Simplesmente brotam tantas dúvidas, tanta coisa ao mesmo tempo, que ficam grandes demais pro meu corpo. Enquanto olho nos seus olhos e tento penetrá-los, desvendá-los, parece que minha mente voa, quase sempre mais rápido do que sou capaz de te responder.
Você continua falando, coisas aparentemente sem sentido, e eu vou revirando minhas memórias afim de entender o turbilhão de idéias. Lembrei como eu gostava de ser criança, pelo simples fato de poder observar tudo sem ser notada. Acho que é daí que provém o meu estado de cem mil pensamentos por segundo. Observo demais e depois concluo demais, naturalmente. O problema é que na maioria das vezes essas conclusões não se concretizam, como acontece agora.
Isso causa o sério problema de nunca saber quais são racionalmente as intenções das pessoas que me rodeiam. De não saber quais as suas intenções. Minhas conjunturas aparecem tão rápido associadas às memórias que acabo tomando como verdadeira uma idéia criada no meu imaginário, só lá.
A partir daí reações químicas acontecem a torto e a direita: minhas mãos suam, as bochechas ficam mais rosadas e quentes do que deveriam e as palavras saltam da boca como pulgas em pêlo de cachorro. Você só estava falando sobre história contemporânea, porque minha mente já foi tão longe?
Tão rápido foram produzidos os pensamentos tão grande foi meu comprometimento. Com o mau uso de uma palavra, por não saber parar de observar, imaginar, associar e concluir. Concluir? Mas você nem mesmo tinha pensado em nada perto daquilo que eu já tinha certeza que você queria, só com três conversas e meia.
Tudo seria bem mais fácil, se eu tivesse continuado a ser criança... Poderia te observar, te ler a vida inteira e você nem me notaria. Mas cresci, e você me enxerga bem. Porém, me enxergar não quer dizer compactuar com meus sentimentos.


"Juntos para sempre
Objeto e observador
Física moderna
Velhas canções de amor
Onde estão teus olhos
Onde estão teus olhos
Longe deles nada existe"


Fico assim, só. Vou ficando só, eu e minhas conclusões. Teu olhar, meus pensamentos, se perderam no horizonte. Imaginei demais, como sempre.


Catarina Bezerra