Vivo sempre numa ciranda ao teu lado. Numa ciranda de sentidos, sentimentos, sensações. Por que tanta incerteza nesse coração? Pra quê tanta insegurança? Com a pouca razão que me sobra, sei que nosso amor é verdadeiro. Mas a cabeça sozinha não faz muita coisa. Minhas antigas experiências afloram de uma hora pra outra e me fazem triste, pensativa, incerta. Não sinto firmeza e, talvez, por vezes, não quero sentir. Não quero levar uma segunda rasteira.
"Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sentirá o ar sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis(...)
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais..."
Mas pra quê tantas perguntas? E essa desconfiança de uma hora pra outra? Tenho sido alguém muito distante do meu eu. E a liberdade, que antes tinha o papel principal, agora atua apenas como coadjuvante, ou, as vezes, nem isso. Me sinto diferente, sem forças, sem aquele gosto pela luta diária, pela conquista, por você. A mudança que agora percebo em minha face, se reflete na minha alma, ou vice-versa. Onde deixei as minhas certezas?
"Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar..."
Certeza de um "juntos para sempre" ou de um "eternamente felizes". As vezes isso me parece certo, palpável, concreto. Mas logo qualquer brisa vem e balança minhas estruturas, como se fosse um furacão. Mexendo comigo por dentro, tirando você de onde deveria estar. Aí fico com esse gosto amargo na boca, esse nó na garganta que me faz querer desaparecer, pra que a angústia que sinto no peito, vá junto comigo, pra longe.
"Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem."
Porque a única parte, em mim, que importa, é aquela que grita que eu te amo. Aquela que faz meu coração dançar quando sabe que vai te ver. Aquela que chora pela tua presença e que se perde quando te encontra. Dizer que você me completa, pode parecer clichê, e é. Mas é a única verdade e certeza que eu quero ter. E isso, por si só, basta.
Catarina Bezerra